terça-feira, 28 de agosto de 2012

Montanhas, relevos e poesia



Entre tardes de completo delírio
Eu me sento aqui, nesse penhasco,
envolto em uma completa solidão

O penhasco parece que como um palco,
com platéia e luzes
onde fico a aproximar-me, e a apreciar
as maravilhas daquele olhar
de mar intenso
e imensas montanhas
Todas, a me observar

Juntos tecemos grandes planos
Elas me ajudam, eu as ajudo

E assim eu, as montanhas e os relevos apreciamos nossos finais de tardes,
de imensa solidão e poesia

O homem esqueceu de apreciar as montanhas, entre bucólicos e melancólicos finais de tarde
quando aprendeu a viver, de outra forma,
passando seus finais de tarde de pura solidão,
em frente à TV

Desde então as montanhas, os relevos e os pores do sol
ponham-se a cantar, e a gritar
na esperança de chamar a atenção de alguém que, em um momento de solidão,
ponha-se a escutá-las
e a lhes fazer companhia

Para, juntos, apreciarem mais um final de tarde
no topo daquele penhasco

domingo, 22 de abril de 2012

Entre sonhos e realidades



E se viu andando. Andava, e não sabia aonde ia. Só sentia uma vontade de andar, de caminhar para frente, para ver se a dor passava. Mas não lembrava que dor sentia . Só sabia que tinha que caminhar, para tirar uma dúvida que naquele momento não lembrava bem qual seria.

E passeava por campos, ora belos, ora temíveis. Cheiro de rosas sentia às vezes, mas, em outro, um forte sabor seco e quente transpassou sua língua, ferindo seu paladar. Realmente não sabia onde estava.

Até que encontrou a casa. Não era tão grande quanto imaginava, nem tão bonita, nem tão elegante. Mas era sincera, era simples e bonita. Tinha uma porta e algumas janelas, com uma chaminé que liberava uma fumaça clara de seu topo. Era um cenário muito bonito, e que o deixara, por alguns instantes, inebriado.

- Entre, pode entrar!

Gritou uma voz de dentro da casa. Assustou-se um pouco, mas foi atendendo ao chamado.
Abriu a porta, e dentro era como imaginava, uma casinha dessas camponesas: de materiais simples, mas muito fortes, que aparentavam uma resistência eterna. Passou por uma sala, onde existiam apenas duas cadeiras, uma virada para a outra, que pensou se tratar de uma sala de aconselhamentos. Entrou mais um pouco e deparou-se com a cozinha, onde um pobre velho preparava um chá de ervas do campo com água que fervia em uma chaleira sobre um fogo que brilhava muito, exalando aquela fumaça que vira em cima da casa.

- Olá meu garoto, seja bem vindo! Disse o pobre velho.

- Onde estou? Onde é aqui? Perguntou o assustado rapaz.

- Como assim, vem me visitar e não sabes onde está?

- Como sabes que vim te visitar?

- E o que fazes aqui?

- Desculpe, deve ter sido um engano. E fez como se saísse, voltando.

- Vá em paz meu garoto, e venha sempre que precisar!

- Do que estou precisando?

- Não deve ser eu quem o saiba, mas você. Faça um esforço e tente sentir o que lhe trouxera aqui.

E uma grande dor atravessou seu corpo. Suas pernas falharam, caiu no chão chorando copiosamente.

- Não chore meu bom rapaz, ela está bem.

- Por que estou chorando, pobre velho?

- Porque está sofrendo muito com a partida de sua mãe.

- Para onde ela foi?

- Ela encerrou sua vida, tendo a felicidade de ter vivido muitos anos em uma família maravilhosa.

- Oh não, é mesmo! Minha pobre mãe! Como Deus pode ter feito isso comigo!

- Você acha que ela estaria mais feliz agora viva com você e seus irmãos?

- Sim, é claro! Como vamos poder continuar nossas vidas sem ela! Que dor, que dor!

- Não chores mais meu bom garoto, ela ficará triste por você estar sofrendo tanto.

- Como ela irá sofrer se não vive mais!

- Enganado está, pois ela vive sim. Então pensas que ela já não existia antes de viver?

- De onde ela veio antes de nascer meu pobre velho?

- Ela veio de onde ela foi agora, do mundo fora da matéria. Meu bom garoto, assim como existe a matéria, assim também existe o mundo sem matéria.

- E como pode isso?

- Quantas perguntas, quantas perguntas... Aceita um pouco de chá?

- Sim, por favor... hmm, está uma delícia!

- Sim, é verdade. É de uma ótima safra que estou colhendo, de reinos um pouco distantes do seu.

- É realmente muito bom esse chá pobre velho. Você deve amar muito seus produtores. Já me sinto melhor...

- Sim, eu os amo muito. Mas amo também aqueles que não produzem boas safras, como aqueles que criticam o ceifador por tirar-lhes seus bons frutos.

- Como assim?

- Meu garoto, há a vida e há a morte. Você mesmo, que um dia nasceu, um dia irá morrer. Assim como sua mãe.

- Oh, não me lembre disso! Minha mãe morreu! Quanta dor, quanta dor!

- Tome mais um pouco desse chá meu bom garoto.

- Nossa, minha dor passou pobre velho! Não sei como lhe agradecer!

- Podes me agradecer se for em paz, se aceitar a resposta que tenho para tua pergunta.

- Ah sim, eu tinha uma pergunta importante para fazer. Era saber por que Deus está fazendo eu e minha família passarmos por tudo isso.

- Meu filho, eu não posso lhe dar essa resposta. Pois ela é sua. Você deve perguntar a si mesmo.

- Se você é Deus, então por que mora em uma pequena casinha, é velho e sozinho?

- Quem disse que esta é uma pequena casa, que sou velho ou que vivo sozinho? Saiba, meu bom garoto, que esta imagem que está vendo é formada por você mesmo... Você não pode ver a Deus. Deus é constituído da mais nobre matéria. Ele está em todos, mas todos não estão nele. Este que você vê não passa de um fruto de sua própria imaginação. Mas respondendo a sua indagação, saiba que este tamanho é perfeito para mim, que não preciso de muitas coisas. Sou velho sim, mas possuo muita saúde, vivendo ainda hoje e para sempre na flor de minha juventude. E quanto a estar só, não estais aqui a vir me visitar?

- Me desculpe pobre velho, você está certo. Lembro agora que antes de dormir rezei pra ti para que me dissesse o porquê de ter levado minha mãe... Sabe, ainda não entendo, e a dor por vezes volta, mas estou contente, pois sei que assim como você me deu esse chá maravilhoso e me curou, assim também irá curá-la, e ela voltará a viver.

- Sim meu bom garoto, não se preocupe, pois a natureza é perfeita.

- Muito obrigado meu pobre velho!

- Vá em paz meu garoto, espero ter respondido a sua dúvida...

E acordou em sua casa. Estranhamente aliviado, apesar de tudo que passou com a partida de sua mãe.

Não lembrou o que pedira antes de dormir, nem de seus sonhos... Mas sabia que estava bem, e que agora precisava de forças para ajudar sua família. Disse pra si mesmo que ela partira, mas ia ficar bem. Ele precisava voltar para sua vida agora.

E assim agradeceu a Deus pela graça de acordar e dormir todos os dias!

domingo, 21 de agosto de 2011

Mudanças acontecem



Incrível como se elabora nossa mente material

Hoje me peguei saudoso

Sim, pois enquanto apreciava o bom por do sol na Praia de Iracema

O qual sempre que posso estou

Encontrava-me sozinho


Minto, pois não estava sozinho

Mas entendi o sentimento que estava sentindo

Era a tal da falta

E o entendimento de várias coisas


Pensava eu, ingenuamente, que meus amigos ainda eram os mesmos

que minha mente lembrava

Quão bobo, pois ao olhar-me era evidente

o quão diferente eu também estava


E ai, cai a ficha

Você se lembra das musicas que gritavam lembrando

que o tempo não para

É, o tempo não para


A gente já fez vinte e não sei quantos

Bebeu todas e já caiu na calçada

Fudeu várias, mas não todas


E se pega vendo que está crescendo.

E vê que as coisas estão diferentes. Por que não sempre pensar que estão melhores?


Será mais difícil aceitar o novo

Ou se desfazer do velho?

Quer saber, do jeito que está tá bom demais!


domingo, 26 de junho de 2011

A fuga da coragem


Minha cabeça
Meu coração
E meu estômago
Guardam o meu medo

Seu cheiro é forte como o vermelho do sangue

E amargo

Minha coragem criou asas
Me deu um pé na bunda
E voou para longe

Me deixou aflito, sozinho

Mas sem ela, como conseguirei atrair
mulheres que me fazem feliz?
Como voltar a dividir chuveiros
E roça roça de pés sob as cobertas?

E o claro se tornou escuro
E o azul, vermelho
E o que era farto se tornou escasso
Para que se cumpram os designios
De quem nos entende mais do que nós mesmos

Pois tudo que é, um dia,
precisa deixar, um dia, de ser.

Volta, ó coragem
Preenche o vazio que em mim deixou

... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...

E se eu resolvesse
Nunca mais me apaixonar
deixar meu coração vegetando
E aceitasse seu sono profundo
Resolvesse, então, não acordar?

Talvez assim, morto
Voltasse a sentir o que é estar vivo

A puta daquela noite


Hoje conheci alguém
Que mexeu com minhas entranhas
Que me hipnotizou, me desequilibrou
Que a simples presença pôs abaixo minha máscara arrogante

Tinha a pele branca
E olhar felino
Dançava rebolando
E seu quadril me fez delirar
Seu nome descobri
é Maria-não-sei-o-quê
Mas quando a vi rebolando
carinhosamente a apelidei de puta.

Pois seus gestos graciosos
Tiveram a ousadia de arrepiar meu pêlo
E me fazer delirar

Ó, como se atreve
Tu, a mais puta das putas
A única que chama minha atenção na noite
A mais bela do salão
Arranca meu peito e me excita

E, por um minuto, me faz sentir-me vivo
E novamente sinto sangue correr em minhas veias
E lágrimas descer por meus olhos

Ó, não posso te arrastar para minha cama
Melhor, ou pior, não consigo
Pois posso voltar a sofrer
E isso não quero mais

Não sei o que me mantém vivo
Pois meu coração parou de bater
Acho que desisti de ser feliz

E quem sabe?

Eu não sei de nada
e isso me angustia
Não entender as razões nem os motivos
das energias que transpassam meu ser

Pois, bobo, não passo de um inseguro
O mais seguro deles

Como diria a outra
Eu tenho mais de vinte anos
e tantas dúvidas sem respostas...

segunda-feira, 20 de junho de 2011

O Labirinto do fauno


Sim, existe o labirinto do fauno
Escrito assim, com letra minúscula
A toca do coelho
O fundo do oceano.

Entrar não é o problema
Você conhece muitas coisas
Poderá dizer bravamente aos seus amigos que conheceu o caminho vasto
A larga entrada.

O problema é se descuidar
E muito se demorar
E, confuso, não encontrar mais o caminho de casa
E se ver perdido no labirinto.

Vergonha. Shame.

Uns que se perderam aceitaram suas vergonhas
E passaram até a gostar
Outros, desesperados, choraram e suplicaram
Arrependidos, clamavam para que seu pai viesse lhes buscar
Pois estavam perdidos.

E o céu, como que se abrindo, mostrou uma luz
Pois assim sempre faz
Se solicitado for.

E saiu o pequeno garoto
E se viu livre do labirinto
Pois de pouca idade era ainda, a criança.